segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

ONDE ESTIVERES...

Onde estiveres, não percas a oportunidade de semear o bem.
Se a conversa gira em torno de uma pessoa, destaca-lhe as virtudes, recordando que todos ainda nos encontramos muito longe da perfeição.
Se o assunto descamba para comentários maliciosos, à cerca de certos acontecimentos, procura, discretamente, imprimir um novo rumo ao diálogo, sem te julgares superior a quem quer que seja.
Onde estiveres, não permitas que o mal conte com o teu apoio para se propagar.
Se muitos falam em tom de pessimismo sobre os problemas que afligem a Humanidade, demonstra a tua confiança no futuro, recordando aos interlocutores que nada acontece sem a permissão de Deus.
Se outros se transformam em profetas da descrença, quais se fossem eles mesmo os únicos a se salvarem do naufrágio dos valores morais em que o homem se debate neste ocaso de milênio, trabalha com todas as tuas forças na construção de um mundo melhor, porquanto um só exemplo tem mais poder de persuasão sobre as almas do que um milhão de palavras.
Onde estiveres, não te esqueças de que o bem necessita de ti como instrumento para manifestar-se e não cruzes os braços, como se nada tivesses a ver com o que acontece ao teu redor.

 André Luiz    
(Confia e Segue)
 
 

LAMENTAÇÕES

Aglutinam-se na massa humana as pessoas desesperadas.
Uma vaga de aflição paira ameaçadora no mundo, carregando os inquietos que perderam a direção de si mesmos, vitimados pelas circunstâncias dolorosas do momento.
A insânia conduz expressivo número de criaturas que estertoram ao sabor do sofrimento, buscando fugir da realidade dos problemas, com a aparência voluptuosa de triunfadores nos patamares dos prazeres alucinantes.
A desordem campeia, e ameaças desumanas transformam-se em torpe conduta nos países do mundo, destroçados por guerras impiedosas em nome de religiões fanatizadoras, de raças asselvajadas, de interesses mesquinhos...
Os governantes da Terra perdem as rédeas da administração e negociam com organiza ções criminosas, estabelecendo colegiados políticos abomináveis.
A corrupção adquire cidadania, e a imoralidade desfruta de status, perturban-do os valores éticos e morais.
Nuvens borrascosas avolumam-se nos céus já escurecidos da humanidade.
Tudo anuncia a chegada dos dias apocalípticos, convocando à razão, à renovação dos códigos, à interiorização espiritual.

Como conseqüência do período grave de transição, surgem o pessimismo, a desconfiança, as lamentações. De tal forma se vão arraigando no organismo individual e social, que os temas de con versação perdem os conteúdos ou se apresentam desconcertantes, caracterizados pelas sombras do desconforto, da mágoa, dos irrefreáveis desejos de vingança.
A lamentação grassa e perturba as mentes, impedindo a ação corretora do bem, como se não adiantasse produzir com eleva ção, laborar com honradez.
Lamentar não é atitude saudável. Pelo contrário, produz deterioração dos conteú- dos bons que ainda remanescem em muitas vidas e movimentam-nas, sustentando os ideais de engrandecimento humano.
A lamentação, qual ocorre com a queixa sistemática, é morbo portador de destruição, de desalento e morte.
Antídoto aos males que infestam os dias atuais é ainda o amor, força única portadora de recursos salvadores.
Este é um ciclo que se encerra, dando início a outro, que se irradiará plentificador.
Os períodos de renovação fazem-se preceder por inumeráveis acontecimentos devastadores, nos mais diversos aspectos da natureza. O mesmo ocorre na área moral da humanidade.
Assim, não te desalentes, nem duvides do triunfo do bem. Não fiques, porém, inativo, aguardando que forças atavias operem miraculosamente sem a tua contribuição.
És importante no contato atuaL face ao que pense e como ajas.
Produze, portanto, com esforço bem direcionado, oferecendo o teu contributo valioso, por menos expressivo te pareça.
Não cedas o passo aos aventureiros da desordem.
Permanece no teu lugar realizando o que podes, deves e te cabe fazer.

Multa falta fazem Jesus e Sua doutrina no mundo.
Fala-se sobre Ele, discute-se-Lhe a mensagem, mas não se vive o ensinamento que dela deflui.
Sê tu quem confia e faz o melhor.
Se cada cristão decidido resolvesse por viver Jesus, a paisagem atual se modificaria, e refloresceria a primavera no planeta em convulsão.
Assim sendo, ama e contribui em favor do progresso, sem lamentação de qualquer natureza, em paz e confiança.

Joanna de Ângelis       
(Momentos Enriquecedores)

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Mediunidade - O que é ?

É a faculdade que quase a totalidade das pessoas possuem, umas mais outras menos, de sentirem a influência ou ensejarem a comunicação dos Espíritos, Allan Kardec em seus livros afirma serem raros os que não possuem rudimentos de mediunidade. 
Em alguns, essa faculdade é ostensiva e necessita ser disciplinada, educada; em outros, permanece latente, podendo manifestar-se episódica e eventualmente.
Todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos Espíritos é, por esse fato, médium. Essa faculdade é inerente ao homem; não constitui, portanto, um privilégio exclusivo. Pode, pois, dizer- se que todos são, mais ou menos, médiuns.
Muitas vezes só se qualificam de médiuns aqueles em quem a faculdade mediúnica se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade. Os tipos de mediunidades são inúmeros, como bem esclarece Allan Kardec em "O Livro dos Médiuns".
É compreensível esta diversidade de mediunidades, devido à ela depender do psiquismo e cada qual estar individualizado, por subordinar-se às experiências pelas quais passou o Espírito.
Cada tipo de mediunidade se manifesta em vários graus de possibilidades, umas apresentando amplas possibilidades e outras, poucas.

OS TIPOS MAIS COMUNS DE MEDIUNIDADE

1 - Vidência: é o tipo de mediunidade que permite ver as entidades, as irradiações. Pode ser de três tipos:
Direta, o médium pode ver as entidades de quatro maneiras diferentes:
             1. Projeção, o médium vê apenas um facho de luz, uma coloração que depende da vibração atuante. Não vê forma humana, nem identifica a entidade.
         2. Parcial, o médium percebe uma forma humana ao lado de quem está trabalhando                      espiritualmente, mas ainda não dá uma perfeita identificação. Vê somente o contorno, a forma.
            3. Acavalamento, o médium vê a entidade por cima dos ombros de outro médium. Já percebe          se é masculina ou feminina, se é caboclo ou preto-velho ou outro falangeiro qualquer, se os cabelos são longos ou curtos, etc. Muitos médiuns que tiveram esse tipo de vidência afirmam, por desconhecimento, que as entidades vistas possuíam mais de dois metros de altura, não percebendo que a entidade, vista acima dos ombros de outro médium, produziu uma falsa impressão de altura.
              4. Encamisamento, o médium vê a entidade toda, perfeita. Isso acontece na incorporação integral, quando a entidade toma conta do corpo de um outro médium.
Vidência Intuitiva, o médium vê apenas com a mente. Ele se concentra e recebe a imagem mental, por intuição.
Vidência Focalizada, o médium utiliza algum objeto para a vidência, como um copo d'água ou um cristal. As imagens aparecem no objeto de vidência.

2 - Clarividência: é o tipo de mediunidade que permite ver fatos que ocorreram no passado e que ocorrerão no futuro. Os clarividentes podem ver os corpos astral e mental de outras pessoas, e tomar conhecimento da vida em outros planos espirituais. É um tipo raro de mediunidade. 

3 - Intuição: Médiuns Intuitivos: captam o pensamento dos Espíritos;

4 - Audição: o médium ouve uma voz clara e nítida nos seus ouvidos e dessa forma recebe as mensagens. Na audição, devemos ter o mesmo cuidado que temos na intuição, no que diz respeito à identificação de quem está dando a mensagem.

5 - Transporte (Desdobramento): é a capacidade de visitar espiritualmente outros lugares, enquanto 
o corpo físico permanece repousando tranqüilamente; o espírito se desliga do corpo 
e vai para o espaço. Esse transporte pode ser voluntário ou involuntário.

              5.1 - No transporte voluntário, o médium se predispõe a realizá-lo. Ele se concentra e se projeta espiritualmente a outros lugares, tomando conhecimento do que vê e do que ouve.
             5.2 - O transporte involuntário ocorre durante o sono. Todos nós nos desligamos do corpo físico durante o sono e entramos em contato com pessoas e lugares dos quais não nos recordamos ao acordar. Às vezes, recebemos nesses transportes soluções para os nossos problemas que, mais tarde, nos parecerão idéias próprias. A respeito, diz um ditado popular: "Para a solução de um grande problema, nada melhor que uma boa noite de sono".
             Desdobramento: é um transporte em que o espírito do médium fica visível à outra pessoa. O corpo físico fica repousando, o espírito do médium se transporta a outro ambiente e, nesse ambiente, torna-se visível.
         Sonambúlica: Médiuns de Desdobramento: são capazes de se afastarem de seu corpo físico e desenvolverem atividades espirituais;

6 - Psicografia: tipo de mediunidade muito comum, podendo ser Intuitiva, Semimecânica ou Mecânica. É a capacidade de receber comunicações pela escrita.
                6.1 - Psicografia Intuitiva, o médium recebe as mensagens na mente e as passa para o papel. É pura intuição.
            6.2 - Na Psicografia Semimecânica, o médium, à medida que vai escrevendo, vai também tomando conhecimento do que escreve. O espírito atua, simultaneamente, na mente e na mão do médium.
              6.3 - Na Psicografia Mecânica, o espírito atua somente na mão do médium, que escreve sem tomar conhecimento da mensagem recebida.

7 – Psicopictografia: Quando, ao invés de escrever, o espírito utiliza a mão do médium para pintar.

8 – Psicofonia:  Médiuns Falantes ou Psicofônicos: permitem a comunicação dos Espíritos através da fala;  casos raros podem apresentar a xenoglossia, o médium não conhece a lingua falada. 

9 – Efeitos Físicos: Médiuns de Efeitos Físicos: são particularmente aptos a produzir fenômenos materiais, como os movimentos de corpos inertes ou ruídos, materialização de Espíritos, etc. Foram muito comuns no passado e tinham a finalidade de chamar a atenção para os fenômenos espíritas, mas hoje, são cada vez 
menos freqüentes;

10 – Cura: Médiuns de Cura: são capazes de aliviar ou curar doenças pela preceou pela imposição das mãos;

11 – Psicometria: Médiuns Psicômetras: são aptos a detectar a vibração existentes em objetos e locais.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O SUPERFLUO E O NECESSARIO..

Uns queriam um emprego melhor;
outros, só um emprego.

Uns queriam uma refeição mais farta;
outros, só uma refeição.

Uns queriam uma vida mais amena;
outros, apenas viver.

Uns queriam pais mais esclarecidos;
outros, ter pais.

Uns queriam ter olhos claros;
outros, enxergar.

Uns queriam ter voz bonita;
outros, falar.
Uns queriam silêncio;
outros, ouvir.

Uns queriam sapato novo;
outros, ter pés.

Uns queriam um carro;
outros, andar.

Uns queriam o supérfluo;
outros, apenas o necessário.

Chico Xavier
 

sábado, 22 de janeiro de 2011

casamento homossexual


Como você vê a oficialização do casamento entre homossexuais?
José Raul Teixeira - Consideramos que qualquer oficialização que se estabelece no mundo corresponde à formalização de situações que já existem, ou que precisam ser normatizadas para evitar distorções nos julgamentos de diversificadas situações, em respeito ao conceito formal de justiça. Assim, se se fala de oficialização de casamentos entre pessoas do mesmo sexo é que essas pessoas já estão se unindo sem qualquer formalização, deparando-se, a partir disso, com problemas cujas soluções exigem um pronunciamento da lei que regulamenta a vida de um povo ou de uma sociedade.
Independentemente do nome que se deseje dar a essas uniões, a realidade é que tais uniões existem. Seus parceiros podem conviver pouco ou muito tempo juntos; podem fazer aquisições de variada índole em nome da dupla ou durante o período em que estão juntos os indivíduos. Como ficará, perante a sociedade organizada, a situação de um e de outro parceiro? Em caso de falecimento de um deles, há ou não há direitos a pensões e outros benefícios, após uma vida passada em comum? Todos os quadros com os quais nos defrontamos e que tomam corpo na sociedade precisam ser estudados e disciplinados pela legislação.

Não há como fazer vistas grossas e fazer de conta que tal coisa não existe. Logo, não há como fugirmos dessa oficialização em nome de qualquer tradição ou preconceito, uma vez que os fatos aí estão afrontando os tempos e exigindo um posicionamento oficial das autoridades, pois não há lei que possa impedir de fato que duas pessoas do mesmo sexo tenham vida em comum, que se entendam, que se cuidem ou que se amem.



Jose Raul Teixeira
http://grupoallankardec.blogspot.com/2011/01/casamento-homossexual-jose-raul.html

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

ALIMENTO ESPIRITUAL



O que significa a fraseO PÃO NOSSO DE CADA DIA DÁ-NOS HOJE” que pronunciamos na oração do Pai Nosso, ensinado por Jesus?
O pão nosso de cada dia não é somente o almoço e o jantar, o café e a merenda.
É também a idéia e o sentimento, a palavra e a ação.
Para que reine a saúde com alegria, em torno de nós, precisamos de nossas refeições, mas necessitamos também de paz e esperança, de fé e valor moral.
Com os nossos modos de agir, operamos sobre os outros.
Conversando, distribuímos nossos pensamentos.
Nossos atos influenciam os que nos cercam, segundo as nossas intenções.
Por isso, também os outros nos alimentam com as suas atitudes.
Se estimamos as conversações deprimentes, se buscamos a leitura de natureza inferior, depressa nos vemos alterados e perturbados, sem disso nos apercebermos.
As nossas companhias falam claramente de nós.
Nossas leituras revelam nosso íntimo.
Procuremos, desse modo, o pão espiritual que nos garanta a harmonia interior, que conserve o nosso caráter firme sobre os alicerces do bem, que nos guarde contra a maldade e que nos ajude a ser exemplos de compreensão e fraternidade.
Em Jesus temos o pão que desceu do Céu.
E, ainda hoje, o Mestre continua alimentando o pensamento da Humanidade, por intermédio de um Livro — o Evangelho Divino, em que ele nos ensina, através da bondade e do amor, o caminho de nossa felicidade para sempre. (Meimei)

http://grupoallankardec.blogspot.com/2011/01/o-alimento-espiritual-meimei.html?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

É o amor

No Dia de Natal deparei na Internet com um artigo que anunciava: “Jesus fracassou”. No primeiro momento, fiquei triste. Não pelo comentário em si, uma livre manifestação de pensamento, mas por se tratar de um texto assinado por um querido amigo, jornalista brilhante, pai amoroso, coração generoso e justo. Para mim, o fracasso de Jesus seria o fracasso do amor, pois não há outro objetivo em sua missão. Teria o meu dileto amigo, recém-convertido ao ateísmo, também perdido a fé no amor e na compaixão? Acredito que não.

A releitura de seus argumentos levou-me a admitir que muita gente, incomodada com o barulho das injustiças e da vilania, poderia endossar o seu artigo. O mal é ruidoso e, na atualidade, o eco proporcionado pela mídia pode lhe dar ares de triunfo inevitável, distraindo mentes e sufocando corações na aridez dos pensamentos pessimistas. Nem sempre conseguimos perceber os pequenos e silenciosos gestos de solidariedade e renúncia das pessoas anônimas. E, no entanto, são essas incontáveis ações cotidianas, mais que a espada da lei, o esteio da ordem e da harmonia sociais.

Não há como pensar o amor em termos de sucesso e fracasso. Não há sequer como explicá-lo, por ser ele essência e experiência. O amor é lei da vida. É a própria vida. “Eu vim para cumprir a lei”, diria Jesus. O ápice de sua missão é um fracasso retumbante do ponto de vista convencional. Jesus, prisioneiro e abominado, é crucificado. Mas qual amor não conheceu, em algum momento, a crucificação?

O amor é uno, porém diverso em sua manifestação. Talvez possamos imaginá-lo em estágios que se sucedem e, ao mesmo tempo, coexistem, colorindo a jornada humana com pinceladas de dor e júbilo até a perfeita serenidade. Era assim que os antigos gregos o viam e, por isso, usavam três palavras para designá-lo, como nos lembra o filósofo André Comte-Sponville. A primeira, eros, é o amor que se instala na carência, o amor ao que nos falta, substância da paixão, arrebatadora e violenta, que quer possuir e conservar. É o amor sofrido e infeliz dos amantes. A ele se contrapõe philia, o amor ao que temos e ao que fazemos, fonte do regozijo dos amigos e dos casais, um amor feliz e compartilhado. Platão e Aristóteles lidavam com esses conceitos. A terceira palavra – agapé, o ágape – só surgiria mais tarde, quando Paulo e os primeiros discípulos de Jesus difundiram sua visão essencial do amor: Deus é amor... Amar o próximo como a si mesmo... Amar os inimigos... Eram expressões então estranhas em todas as línguas. Ágape, ou caritas (caridade) em latim, é o amor ao que nem nos faz falta nem nos faz bem, a quem não é nem amante nem amigo. É o amor em pura perda. O amor incondicional.

Seja qual for o aspecto manifestado, o amor está por trás de todos os nossos atos enquanto optamos pela vida, é o elo que nos une aos objetos. Se isso nos deixa feliz ou infeliz, a explicação é dada pelo filósofo Spinoza: “a que tipo de objeto estamos presos pelo amor?” Como ágape, o amor nos aprisiona à fonte mesma da vida, ao amor em si (a Deus), ponto de interseção que torna possível todos os amores conhecidos e imaginados.
  Textos de Jomar Morais na coluna Plural,
publicada às terças-feiras no
Novo Jornal

http://planetajota.jor.br/outroolhar.htm

o que eh um ano novo?

um pouco atrasada, pois estava sem net e viajando...mas eh um artigo interessante


O que é um ano novo? 
Publicado na edição de 28/12/10 
No próximo sábado ganharemos um ano novo. Isso quer dizer que o sol vai surgir no horizonte do jeito que conhecemos, as marés cumprirão o mesmo ciclo e os pássaros cantarão como antes, mas a contagem dos dias recomeçará e, por convenção, todos ganharemos uma nova chance. Verdade? Assim é se assim lhe parece... Podemos também considerar que o sol não será o da véspera, as marés terão uma filigrana a mais ou a menos e o canto dos pássaros, um novo e sutil arranjo. Enfim, tudo, inclusive cada um de nós, será diferente, pois assim é a cada dia, a cada minuto. E ainda assim persistirá a sabedoria do rei Salomão no Eclesiastes: “O que foi é o que há de ser e o que se fez, isso se tornará a fazer. Não há nada novo debaixo do sol”.

A questão do tempo é complicada. Imaginamo-nos existindo nele. Mas, na verdade, é ele que existe em nós. O tempo, como intuíram sábios do passado e deduzem, hoje, cientistas que atuam na fronteira da ciência, é só uma função da mente, simulação decorrente da marcação de eventos sob a aparente separação entre sujeito e objeto, o observador e o mundo. Uma releitura de Salomão à luz dessas teorias audaciosas remete-nos a um mar infinito de probabilidades, um eterno “é” onde tudo o que já fizemos ou faremos, imaginamos ou ainda imaginaremos existe em potência na dimensão essencial da consciência. É o ato da escolha que transmuta a idéia em forma temporária, sustentando a “realidade”. Ou, como diriam alguns físicos quânticos, é a consciência que produz o “colapso” da onda, transformando-a em partícula, a matéria aparente, em ciclos que eclodem no emaranhado do incognoscível.

Ficou mais complicado? Então chamemos os Titãs, a banda roqueira. Um de seus melhores álbuns é o “Tudo ao mesmo tempo agora”, um título que resume os insights dos velhos sábios e os modelos dos novos cientistas sobre a intricada questão do tempo. É isso aí. Agora é tudo o que existe. Não como um momento que se esvai (pois isso seria imaginar novamente o tempo linear, feito de passado, presente e futuro), mas como eternidade, o ilimitado que abrange o antes e o depois. Não há nada a fazer senão agora. O presente é o único tempo da ação.

Como será o seu ano novo? A resposta é: como está você agora? Mesmo quando os arcanos do tarô - ou outro simbolismo através do qual tentamos adivinhar o futuro – vaticinam uma paisagem, é de nosso presente que eles tratam, revelando pelo mecanismo da sincronicidade as cores ocultas de nosso inconsciente. O passado é só registro, o futuro, só projeção.

E ainda assim persistirá a sabedoria do Eclesiastes. Na ficção das formas, os opostos garantirão a vida e sua beleza e o novo ano será feliz para quem souber compreendê-los e aceitá-los: “Há tempo de nascer e tempo de morrer. Tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou. Tempo de derrubar e tempo de edificar. Tempo de chorar e tempo de rir. Tempo de abraçar e tempo de afastar-se do abraço. Tempo de buscar e tempo de perder. Tempo de estar calado e tempo de falar. Tempo de amar e tempo de aborrecer. Tempo de guerra e tempo de paz.” (Ecl 3:2-8)
http://planetajota.jor.br/outroolhar.htm