sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

o que eh um ano novo?

um pouco atrasada, pois estava sem net e viajando...mas eh um artigo interessante


O que é um ano novo? 
Publicado na edição de 28/12/10 
No próximo sábado ganharemos um ano novo. Isso quer dizer que o sol vai surgir no horizonte do jeito que conhecemos, as marés cumprirão o mesmo ciclo e os pássaros cantarão como antes, mas a contagem dos dias recomeçará e, por convenção, todos ganharemos uma nova chance. Verdade? Assim é se assim lhe parece... Podemos também considerar que o sol não será o da véspera, as marés terão uma filigrana a mais ou a menos e o canto dos pássaros, um novo e sutil arranjo. Enfim, tudo, inclusive cada um de nós, será diferente, pois assim é a cada dia, a cada minuto. E ainda assim persistirá a sabedoria do rei Salomão no Eclesiastes: “O que foi é o que há de ser e o que se fez, isso se tornará a fazer. Não há nada novo debaixo do sol”.

A questão do tempo é complicada. Imaginamo-nos existindo nele. Mas, na verdade, é ele que existe em nós. O tempo, como intuíram sábios do passado e deduzem, hoje, cientistas que atuam na fronteira da ciência, é só uma função da mente, simulação decorrente da marcação de eventos sob a aparente separação entre sujeito e objeto, o observador e o mundo. Uma releitura de Salomão à luz dessas teorias audaciosas remete-nos a um mar infinito de probabilidades, um eterno “é” onde tudo o que já fizemos ou faremos, imaginamos ou ainda imaginaremos existe em potência na dimensão essencial da consciência. É o ato da escolha que transmuta a idéia em forma temporária, sustentando a “realidade”. Ou, como diriam alguns físicos quânticos, é a consciência que produz o “colapso” da onda, transformando-a em partícula, a matéria aparente, em ciclos que eclodem no emaranhado do incognoscível.

Ficou mais complicado? Então chamemos os Titãs, a banda roqueira. Um de seus melhores álbuns é o “Tudo ao mesmo tempo agora”, um título que resume os insights dos velhos sábios e os modelos dos novos cientistas sobre a intricada questão do tempo. É isso aí. Agora é tudo o que existe. Não como um momento que se esvai (pois isso seria imaginar novamente o tempo linear, feito de passado, presente e futuro), mas como eternidade, o ilimitado que abrange o antes e o depois. Não há nada a fazer senão agora. O presente é o único tempo da ação.

Como será o seu ano novo? A resposta é: como está você agora? Mesmo quando os arcanos do tarô - ou outro simbolismo através do qual tentamos adivinhar o futuro – vaticinam uma paisagem, é de nosso presente que eles tratam, revelando pelo mecanismo da sincronicidade as cores ocultas de nosso inconsciente. O passado é só registro, o futuro, só projeção.

E ainda assim persistirá a sabedoria do Eclesiastes. Na ficção das formas, os opostos garantirão a vida e sua beleza e o novo ano será feliz para quem souber compreendê-los e aceitá-los: “Há tempo de nascer e tempo de morrer. Tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou. Tempo de derrubar e tempo de edificar. Tempo de chorar e tempo de rir. Tempo de abraçar e tempo de afastar-se do abraço. Tempo de buscar e tempo de perder. Tempo de estar calado e tempo de falar. Tempo de amar e tempo de aborrecer. Tempo de guerra e tempo de paz.” (Ecl 3:2-8)
http://planetajota.jor.br/outroolhar.htm

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